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Empresariado de São Tomé e Príncipe considera positiva aproximação com a China

Nos círculos empresariais santomenses, a aproximação com a República Popular da China está a ser bem recebida.

«A China continental não pode nunca ser posta de parte». A afirmação foi avançada à PNN por Jorge Correia, Presidente da Câmara do Comércio, Indústria, Agricultura e Serviços (CCIAS).

«São Tomé e Príncipe fez agora o que devia ter sido feito há muito tempo», acrescentou Jorge Correia.

O arquipélago santomense «está numa situação em que, quanto mais peixe puder apanhar, melhor. Todo o bom peixe que cair na rede deve aproveitar-se. Temos que lançar a rede, e é isso que se está a fazer», referiu o Presidente da Associação de Empresários Santomenses, Acácio Elba Bonfim.

Ambos reconheceram que Pequim nunca pôs São Tomé e Príncipe de parte. Apesar da suspensão das relações diplomáticas derivada do reconhecimento de Taiwan, «as empresas do Estado chinês ficaram. Operam no país. Participam em concursos públicos com outras empresas, nomeadamente no domínio da construção».

«A aproximação formalizada agora é apenas o reforço do que já estava a acontecer», disse Jorge Correia.

Acácio Elba Bonfim recordou que o diplomata chinês em São Tomé disse, na altura, que aquela decisão foi uma «miopia política». Em 1997, quando o reconhecimento diplomático de Taiwan foi feito através de um decreto assinado pelo então Presidente da República, Miguel Trovoada, ele era ministro do Plano e Finanças do Governo liderado por Raúl Bragança.

A China Popular sabe que «quem está hoje no poder, esteve contra a ruptura das relações diplomáticas em 1997», adiantou Acácio Elba Bonfim.

Jorge Correia e Acácio Elba Bonfim concordam que não se deve pôr em causa as relações com Taiwan, mas admitem que São Tomé e Príncipe «não tirou maior proveito do estabelecimento do acordo diplomático com as autoridades de Taipei, porque não soube negociar».

É evidente que existe uma aproximação entre Pequim e Taipei e «não temos possibilidade, nem interesse em estarmos envolvidos num braço de ferro».

Os responsáveis acreditam que com o novo cenário vai haver «mais competição» entre as duas Chinas, e o arquipélago do golfo da Guiné pode ganhar muito no seu processo de desenvolvimento.

«A China Popular, um país do BRIC, está a investir bastante no continente africano e São Tomé e Príncipe deve beneficiar igualmente desse investimento», defendeu o presidente da CCIAS.

«Se intervirem nesses grandes projectos estruturantes, as nossas empresas vão ganhar. Haverá subcontratação de empresas e serviços. Para satisfazermos essa procura é preciso formar pessoas. Há possibilidade de se fomentar a cooperação empresarial entre consórcios chineses e empresários santomenses», analisou o Presidente da Associação de Empresários do arquipélago.

Entretanto, «o Estado deverá criar facilidades para a participação do sector privado santomense na parceria com o empresariado chinês», alertou Jorge Correia.

www.jornaldigital.com

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