Cultura

Pekagboom – ‘O Ministério da Cultura devia aproveitar melhor o talento musical são-tomense em benefício do arquipélago’.

Quando ‘bem aproveitados’ os cantores também podem gerar ‘receitas’ e representar o país ao mais alto nível. A opinião é do Rapper são-tomense Pekagboom. Numa conversa amena com o ReporterSTP, o Rapper falou do seu trajecto até aqui e nos levou à visitar a essência do Rap Underground. Por outro lado, falou da evolução do Rap Santola e traçou estratégias que deviam ser seguidas pelos decisores, para que a música fosse melhor aproveitada em prol do país.

Nasceu Percio Sousa Neves e Silva, mas é como Pekagboom, que há mais de sete anos usa a música, mais concretamente o Rap, para levar as suas mensagens as populações. Para muitos é mesmo um ‘ativista’, já que suas músicas estão carregadas de ‘mensagens sociais’.

Em primeira pessoa Pekagboom respondeu as perguntas do ReporterSTP.

ReporterSTP- Quem é Pekagboom?

Pekagboom- Pekagboom é um Rapper de intervenção social, que começou no Rap com intenção de fazer músicas de carris interventivo, mas com carácter educativas com o objetivo de ajudar as pessoas a pensarem e a refletirem sobre a sociedade em que estamos inseridos.

ReporterSTP- Como surgiu o interesse pela música?

Pekagboom- O interesse pela música surgiu ainda em São Tomé, nos finais da década de 90. Fui inspirado pelo meu falecido irmão, que fazia Kizomba, tinha na altura 13,..14 anos. Venho para Portugal em 2001, conheço pessoas ligadas ao Rap e como gostava de Rap comecei também eu a escrever.

ReporterSTP- Porquê do Rap Underground, ligado aos Ghettos e tudo à volta?

Pekagboom- O Rap nos subúrbios naquela altura, finais da década de 90, ínicio dos anos 2000 era muito uma cena underground, porque nós vivíamos num seio de descriminação. Nós vivíamos num mundo onde o negro quase não tinha oportunidades. Se hoje não temos, imagina como era naquela altura! O Rap underground é um Rap que vem da alma, é um Rap que vem denunciar casos, vem falar de vários assuntos, mas cada um na sua própria expectativa. Há aquele Rapper mais agressivo, mais revoltado, com uma imagem mais criminal, há aquele que é mais consciencializador, mais aconselhador, mas que não deixa de ser underground. Como vinha de um ghetto que sofria muitos pré-conceitos, tinha também essa ideia de mostrar através do Rap, que também tínhamos pessoas com futuro e que queriam ser alguém e que o ghetto não era só violência, não era só coisas negativas, mas pelo contrário, também tínhamos coisas muito boas, culturas, identidades e valores.

ReporterSTP- Fala um pouco das mensagens que procuras passar com a tua música.

Pekagboom- Com as minhas músicas tento sempre lançar uma mensagem de alerta a sociedade. Isto não quer dizer, que eu não possa fazer músicas mais comerciais, mas todas as minhas músicas têm uma mensagem por detrás, uma mensagem forte que serve de alerta para alguma coisa. Isto é algo que me dá gozo fazer, porque é importante percebermos o valor que os músicos têm na socieadade. Eu prefiro mover multidões com aquilo que acho ser positivo e construtivo para a sociedade. Por exemplo, tenho uma música que se chama ‘Elsa Figueira’ que fala sobre a violência doméstica. Sei que não é uma temática nova, mas eu já recebi testemunhos de pessoas que usaram a música para mudar a situação de violência em que viviam. Isto é realmente gratificante.

ReporterSTP- Quais são os teus projetos atuais?

Pekagboom- Neste momento estou-me a associar a uma nova produtora que se chama ‘Psicoolmusic’. A ideia é organizarmos ao máximo para que as nossas músicas cheguem com mais facilidade ao público alvo. Estamos a trabalhar, a formalizar equipas, a preparar tudo para que quando as coisas arrancarem, tenha cabeça, tronco e membros. Por outro lado, lancei recentemente uma ‘EP’ com músicas originais, intitulada ‘Preto no Branco’, http://hyperurl.co/s6hsjj, que já se encontra nas ruas.

ReporterSTP- Como é a tua relação com outros cantores são-tomenses?

Pekagboom- Eu lido-me muito bem com muitos músicos são-tomenses, músicos de renome como Tonecas Prazeres, Marta Costa ou Kalú Mendes. Dão-me muitos e bons conselhos a nível das músicas e letras. Tem também o Kilazi que é um grande Rapper. É alguém que prezo muito o seu valor e capacidade artística a cima de tudo. Esta ligação faz-me crescer bastante enquanto músico dentro do meu estilo.

ReporterSTP- Qual a tua opinião sobre o atual momento do Rap Santola?

Pekagboom- O Rap Santola está no bom caminho, está na sua fase de crescimento. Tenho reparado o surgimento de bons talentos, embora alguns deixem a desejar, mas isto é normal, o importante é fazer boa música. Mas penso que tanto no Rap como em outros géneros musicais o nosso principal problema e o que faz com que a música são-tomense não tenha, realmente, o peso que devia ter é a falta de promoção. O Ministério da Cultura devia proporcionar condições mais dignas, para que os fazedores da arte musical possam fazer músicas de qualidade capazes de serem difundidas além fronteiras, porque a música também pode contribuir para o cofre do Estado. Eu penso que a falha está na estrutura, que é a direção da Cultura. Ela não tem sabido aproveitar os talentos que temos, para que realmente possamos produzir receitas em benefício do nosso arquipélago. Quando um artista tem o seu trabalho valorizado, há condições para continuar e ir mais além.

Pekagboom na primeira pessoa, numa viagem pelo mundo do Rap Santola a que os leitores podem continuar a seguir ao acessar o link https://www.youtube.com/channel/UCpu6lrfO_BDB-V8SDscwvOg da sua pagina oficial nas redes sociais.

Brany Cunha Lisboa

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